PROGRAMA DE FORMAÇÃO EM ARTES PERFORMATIVAS

O TRANSBORDA é um espaço de formação e de compartilhamento de experiências artísticas, que entende a criação de forma transversal entre as linguagens, especialmente no trânsito entre dança, literatura, performance e teatro.

Concebido pela Gameleira Artes Integradas, coordenada pelas artistas e produtoras Olga Lamas e Raiça Bomfim, e desenvolvido em parceria com o artista e gestor Matias Santiago, o Programa de Formação em Artes Performativas é destinado a maiores de 18 anos, com ou sem experiência artística, e tem como princípios:

 

- O processo de criação artística como processo formativo;

- O transbordamento e contaminação entre módulos formativos autônomos;

- A consideração da singularidade dos interesses políticos, éticos, estéticos e do modo como cada indivíduo se percebe implicado na construção da realidade;

- Autonomia dos sujeitos implicados nos processos formativos.

 

O TRANSBORDA funcionará em ciclos semestrais. Em 2018, de julho a dezembro, serão realizadas sete oficinas [cronograma e informações detalhadas, logo abaixo]. As oficinas ocorrerão em segundas, quartas e sextas à noite, com um café de compartilhamento na tarde dos sábados subsequentes.

Já em 2019, a ideia é que o programa se expanda e realize um conjunto de quatro módulos e três oficinas, por semestre. Cada módulo e oficina são autônomos, e ainda que um dialogue com o outro e haja contaminações mútuas, os interessados podem escolher de quais e de quantos participarão, montando sua própria grade.

Confira a nossa programação:

LAB EROS

Laboratório de práticas corporais e experimentos erótico-filosóficos sobre o tempo

Com Alda Maria Abreu 

O que se move no corpo eternamente retorna como movimento do pensamento, engendra estados nascente, estados mutantes. Mas o que é isso que se move nos corpos? O que quer dizer dançar afinal? Como se consegue fazê-lo? LAB EROS é um espaço experimental criado para responder a estas e outras perguntAções. Concebido pela dançarina/performer Alda Maria Abreu, o LAB EROS mobilizará atos performativos e vivências coletivo-corporais que fazem parte de sua atual pesquisa de doutorado: "do sujeito erótico à experiência-limite” (Georges Bataille) e “o tempo e o corpo do incomensurável” (Henri Bergson). Esses modos de performar/existir,  sustentados no que Alda chama de  imersões ecopoéticas, irão ganhar corpo no convívio diário com o grupo a partir de uma dramaturgia aberta, convocada por epistemologias xamânicas ainda sem nome, idade ou tempo. Para existir como ato performativo, como devir-útero, como dança_corpo_campo, os participantes serão convidados a mergulhar num mesmo mar, na memória do fogo nos corpos e, desafiados a deslocar-se de nossas certezas antropocêntricas e pontos de vista demasiado humanos sobre quem somos ou o que é um corpo, um Ser, uma Vida, ao longo de 6 semanas, buscarão dar à luz estados de caos, novas danças, novas ecologias, novos modos, graus e naturezas daquilo que chamamos Liberdade.

Alda Maria Abreu é dançarina/performer, pesquisadora, produtora e arte educadora;  bacharel em Artes Cênicas e mestre em Psicologia Clínica, uma artista independente que atua na cena cultural do eixo São Paulo-Bahia-Portugal há mais de 10 anos.  Atualmente encontra-se nômade, num devir-transoceânico de busca por uma ancestralidade luso-ameríndia. Enquanto isso, dedica-se às pesquisas do doutorado intitulado Metafísica dos Atos Livres, sob a orientação do filósofo Peter Pál Pélbart no Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC/SP. Desde 2016 participa do SENSELAB – rede internacional de artistas sediada em Montreal (Concordia University), onde colabora com uma produção de pensamento híbrida, no cruzamento entre filosofia, arte e ativismo.  Criadora do LAB EROS, escritora e ávida leitora de Artaud, Bataille, Nietzsche, Bergson e Spinoza, na esteira da filosofia da diferença, acompanhada também por Deleuze,  Guattari e seus mil platôs, atualmente dedica-se à criação de atos performativos que visam efetuar danças-pensamentos livres das coleiras da dita arte contemporânea. Concebeu e performou em Androgyne - Sagração do Fogo (2015) e Visões da Terra (2017), recentemente publicados na seção de vídeo-arte da Revista ClimaCom, são frutos de longas trajetórias e parcerias artísticas, como por exemplo junto a Juliana Ferrari, André Rosa e Amarílio Sales do NuMiollo - Núcleo de Investigação da Cena (Salvador/BA), junto a Maura Baiocchi e Wolfgang Pannek  da Taanteatro Companhia (São Paulo/SP), ao LAC - Laboratório de Atividades Criativas de Lagos/Portugal, junto ao coletivo performático Meninas Sem Nome (São Paulo/SP), junto às mulheres artistas da Gameleira Artes Integradas (Salvador/BA), bem como uma série de artistas audiovisuais independentes, dentre os quais destaca-se a parceria com Victor Negri e Lea Taragona, presente em Peyote - Jardim dos Tempos (2016), imersão ecopoética criada em site specific, fruto de sua última residência artística no Centro Cultural São Paulo. 

SILÊNCIOS E TESOUROS

Experimentos corporeo<perfor>mágicos

Com Olga Lamas

Esta é uma oficina para explorar tesouros no corpo e na cidade: as pequenas delicadezas silenciosas do cotidiano. Uma experiência de expandir a escuta, alquimiar os sentidos, performar presenças e convocar elementos sensíveis para o ato da criação artística.

 

Infiltrar-se e ser infiltrada/o. Brincar de lembrar e esquecer. Inaugurar e reinventar memórias e tempos no corpo, nos objetos, no espaço. Abrir fluxos de contaminação e atravessamentos mútuos e múltiplos. Experimentos de busca e encontro de pequenos detalhes, letras, fragmentos, brechas: como uma folha seca no chão, uma xícara herdada da avó, uma gambiarra de fios cortando o céu, uma cicatriz na perna, um espelho oferenda do fundo do mar, um azulejo rachado na parede, uma palavra guardada, uma pena na areia, um assovio de infância, um saco plástico ao vento. Partir desses encontros-descobertas > permeabilizar os contornos de corpo, objeto, espaço > movimentar os sentidos > inventar poéticas e encantamentos.

 

Olga Lamas é artista pesquisadora transdisciplinar {teatro, dança, performance e audiovisual} afeita a feitiçarias e alquimias cotidianas . Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Dança da UFBA com a pesquisa intitulada Movimentos do Silêncio: Uma Dança Cartográfica; e Licenciada em Teatro pela mesma universidade. Tem no silêncio a fonte de inspiração para suas criações autorais há quase 10 anos - a exemplo das obras da trilogia sobre Virginia Woolf {2009-2012} e da performance Sagração {2014}. É uma das criadoras da Gameleira Artes Integradas - território de articulações artísticas de criação, produção e curadoria.

A POÉTICA DO CORPO LUGAR

Uma abordagem fenomenológica de corpo e de cidade

Com Marcelo Sousa Brito

A cidade deve proporcionar não somente o espaço funcional, mas também o banal, o acidental, o secundário, o lúdico. Suprimir o espaço do uso na cidade é tirar a poesia do cotidiano, pois esse uso pode ser poético, artístico. E cada lugar independente das condições de uso precisa ser ocupado, vivido em todas suas possibilidades: funcionais e lúdicas. E é essa vivência que revela a vida na cidade com suas tensões, contradições, pausas, movimentos e poesia; O uso define o lugar e a poesia surge do uso. Independentemente de ser uma visão utópica de cidade, é esta mesma utopia, enquanto artista, que me faz pensar uma cidade onde o espaço para a poesia, a criação e a arte sejam garantidos bem como o espaço funcional.

 

Assim, essa experiência nos fará entender como o artista se relaciona com seu corpo e com a cidade e também como a cidade interfere na relação do artista e sua criação. A opção por um grupo mais heterogêneo vai colaborar com a diversidade de repertório em se tratando da relação do artista com a cidade na manutenção de seu corpo-lugar.

 

Marcelo Sousa Brito é ator e diretor teatral, Doutor em Artes Cênicas pelo Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da UFBA, autor dos livros “O teatro invadindo a cidade” (EDUFBA 2012) e “O teatro que corre nas vias” (EDUFBA, 2017). Prêmio Braskem na categoria revelação 2006 pela direção do espetáculo “Guilda”. Atualmente é bolsista PNPD da Capes para de estágio de pós-doutorado no Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da UFBA.

BERRO ESTRIBILHO

Insurgências sonoras

Com Raiça Bomfim 

Em meio aos desejos de ampliar espaços de encontro, de escuta mútua e experimentação de poéticas antifascistas em contextos emergenciais, como o nosso, a oficina BERRO ESTRIBILHO foi repensada para ser um espaço de encontro e experimentação de modos de coletivizar nossas vozes mais sutis.

 

Numa parceria com o coletivo Deslimites e a Casa Rosada, a oficina parte da busca de sonoridades e movimentos permissivos à aparição de vozes soterradas pelo medo e pelo hábito. Quais vozes são capazes de resistir às tentativas de nos emudecer? Quais vozes expandem-se em nós como afirmação de vida e nos fazem existir de modo mais inteiro no mundo?


As propostas que dão partida a cada um dos encontros ressoam da criação do experimento BERRO e seguem os mesmos fundamentos poéticos, agora ampliados pela urgência de radicalizar os afetos que animam nossa potência de vida.


BERRO é a expressão de um parto. O ser tinindo em carne e som. Um esquecimento que recobra corpo e emerge à superfície. Catástrofes de onde nascem danças. Corpos de onde brotam os rios. Rio onde corre nossa voz mais íntima, extraviada da língua, recolhida na incompreensão, como um apêndice, um mioma, um coágulo. Uma liberação. Corpo vulcão, corpo devir, corpo multiplicado. Respiração por onde a língua apalpa membranas íntimas. Permitir e, ao mesmo tempo, combater. Deixar-se atravessar pela lâmina das presenças. Ser cúmplice das tempestades. Atiçar o jorro delirante que dissolve os dizeres apáticos. Dar à luz sombra por sombra. Nascer.

 

Raiça Bomfim é atriz, escritora e produtora. Graduada em Interpretação Teatral e Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFBA. Desenvolve uma série de estudos criativos sobre a Ofélia de Shakespeare, reunidos sobre o título de “Projeto Ofélia”. É uma das produtoras-criadoras da Gameleira Artes Integradas - território de articulações artísticas.

DANÇA ESTILHAÇADA

Quais constelações de corpos movem seu corpo?

Com Leonardo França

Essa oficina é um ambiente de criação coletivo no qual a dança se torna uma prática inespecífica para potencializar modos específicos de composição. Coletivamente, iremos pensar o próprio na criação sem propriedade, pensar modos singulares de relação sem exclusividade, reconhecer e inventar a multiplicidade de cada corpo. Para além da sua anatomia humana, quantos corpos habitam seu corpo? Sua presença se expande na materialidade de quais outros corpos (Pessoas? Objetos? Roupas? Animais? Plantas?) Quais são seus corpos visíveis e invisíveis? O que e quem dança na dança enquanto a sua dança acontece? Essa oficina está aberta a pessoas e artistas que nunca se reconhecem inteiros: quase-artistas, quase-dançarinos, quase-cineastas, quase-artistas visuais... fronteiriços.

 

Leonardo França é pai em construção e artista do corpo que faz do estilhaçamento sua produção estética. Produz colaborativamente com vários artistas da dança, cinema, música, artes visuais e teatro. Desde 2010, integra a equipe de artistas-curadores da Dimenti produções culturais. Em sua atuação estilhaçada assume diferentes posições como diretor, dançarino, ator e performer. Suas criações ganham múltiplas configurações como espetáculos, instalações, livro-objeto e curtas-metragem. Em 2016, teve dois trabalhos indicados como melhores espetáculos de dança do Rio de Janeiro pelo Jornal O Globo: Ouriço que tem a sua direção e Looping: Bahia Overdub em co-direção com Felipe Assis e Rita Aquino. No seu trajeto já realizou residências artísticas no Brasil, Portugal e Alemanha.

ABORDAGENS ARTÍSTICAS PARA O CORPO E O MOVIMENTO

O seu processo criativo

Com Matias Santiago

O módulo pretende, a partir de abordagens práticas da Dança que envolvem o corpo e o movimento, detonar processos criativos que emergem das experiências sociais, artísticas e políticas de cada aluno, considerando o cruzamento possível entre campos de conhecimentos da arte e da vida, percebendo os lugares do corpo e do ambiente e suas potências performativas.

 

Matias Santiago é professor, bailarino e coreógrafo. Exerce atividade didática nas áreas da arte e arteducação, pensando o corpo e suas variantes de movimento na dança. Foi coordenador dos Cursos Livres da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia, instituição pela qual é formado como Bailarino profissional. Trabalhou com diversas companhias de dança, dentre elas a Jorge Silva Cia de Dança, Cia Viladança, Dance Brazil, Balé do Teatro Castro Alves, Grupo Corpo (MG), Cia de Dança do Palácio das Artes, Andanza (EUA), Brazzdance (EUA), Balé da Ilha (ES), e Sem Cia de Dança – Ambiente de criação coreográfica. Atualmente, dirige o Balé Jovem de Salvador. Licenciado em Dança pela Universidade Federal da Bahia, atualmente, é professor substituto da Escola de Dança da UFBA e mestrando pelo PPGDança.

OJÚRAN

Transe e fluxo

Com Laís Machado

Ojúran [que em Yorubá significa transe, sonho, visão] é o compartilhamento de uma pesquisa sobre estados alterados de consciência e produção de áreas criativas, tendo a dança, o canto e a exploração de qualidades energéticas como veículos para um estudo da presença, em uma perspectiva decolonial. Esta vivência é composta por exercícios práticos que estimulam a conexão consigo e suas pulsões, aliados a dispositivos de relação, estudos teóricos acerca da presença e decolonialidade, e análise do material produzido coletivamente durante todo o processo.

 

Laís Machado é alárìnjó feminista, pesquisadora, crítica e produtora - formada pela ETUFBA; membro fundadora da ÀRÀKÁ – Plataforma de Criação em Arte; ex-Integrante do Teatro Base (2011-2017); membro fundadora da Revista Barril onde atuou como colunista e designer (2016-2017) ; desenvolve estudos sobre transe e fluxo como meio de produção de presenças e um estudo decolonial da cena experimental.

INVESTIMENTO POR OFICINA:

 PAGUE QUANTO PUDER

 

R$ 150,00

VALOR SUGERIDO

Para maiores informações:

transbordatransborda@gmail.com